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Travessia Marins x Itaguaré, Marmelópolis, MG

Trekking em Marmelópolis (MG)

Travessia Marins x Itaguaré

Por Carol e Marcos Varella · Atualizado em · Fomos 2 vezes, a última em abril de 2021

A travessia Marins x Itaguaré liga o Pico dos Marins ao Pico do Itaguaré, na Serra da Mantiqueira, perto de Marmelópolis (MG). É considerada o trekking mais técnico do Brasil. Fizemos em 3 dias, na Páscoa de 2021, com cargueiras de 18 kg (Marcos) e 15 kg (Carol). Foi nossa segunda tentativa.

No carnaval de 2021 tínhamos tentado a primeira vez. O piso muito molhado na subida do Marins e as chuvas fortes do fim da tarde até a madrugada nos fizeram abortar. Voltamos de coração partido, mas certos de que era a decisão mais correta e segura. Quarenta dias depois, voltamos.

Logística

Por causa da pandemia, dessa vez não era permitido estacionar no Refúgio Marins, onde a trilha começa. Sugerimos confirmar as condições com o Dito, do Refúgio, antes de ir: (12) 99799-7524.

Sem o estacionamento, combinamos com o Sr. Clovis, famoso pelos resgates nessa travessia: (12) 99773-4889. Deixamos o carro guardado num dos estacionamentos dele em Marmelópolis na Sexta-feira Santa, e ele nos levou até a porteira do início da trilha. O resgate no fim da trilha do Itaguaré já estava contratado para o domingo de Páscoa, às 14h.

Como é a travessia

Dia 1: Refúgio Marins ao cume do Marins

Saímos do Refúgio às 7h15, com bastante água (4 litros cada). A ideia era pegar mais um pouco no Morro do Careca para cozinhar e depois só no Itaguaré, porque há relatos de que a água do Marins é contaminada.

Até o Morro do Careca. A trilha começa por mata fechada, alternando com trechos da antiga estrada de terra. A vegetação exuberante logo dá lugar aos campos de altitude e afloramentos rochosos típicos da Mantiqueira. Esse trecho é fácil a moderado, mas exige um pouco, ainda mais com cargueira. A vista do Vale do Paraíba e dos cumes já é magnífica. No Careca, paramos para fotos e abastecemos num ótimo ponto de água, numa trilha escondida (está marcada no registro).

Do Careca ao Portal. A partir do Careca, as pedras e os trepa-pedras aumentam muito, e a trilha fica difícil até pouco depois do Portal, também chamado de Pedra Partida. É outro ponto com belas imagens do vale e dos cumes. Logo depois, a trilha dá uma guinada para a esquerda, acompanhando o paredão, num trecho de capim alto, mas com a trilha bem marcada pelas pegadas de bota.

As três escalaminhadas. A primeira é muito difícil: dá para tentar por aderência ou contornar o paredão se agarrando nas rochas. Depois de mais pedras vem a segunda, com uma fenda no começo que ajuda. Seco, dá para vencer por aderência. A terceira é uma parede de 9 m com uma grande fenda. Estava congestionada, com muita gente içando mochilas e se ajudando. Como estava bem seco, passamos sem tirar as cargueiras.

Acampamento. Logo adiante aparece o primeiro camping, menor, na base do Marins. Ficamos nele de novo, ao lado do grupo do Silas, do Denis e do Teleco, que encontramos várias vezes no caminho. Dali em diante não nos separamos mais. Há mais campings depois do pequeno vale, mas estavam cheios de barracas. Levamos pouco mais de 4 horas até ali.

Ataque ao cume do Marins. Depois do almoço, descemos o pequeno vale, passamos pelos outros campings e subimos. A subida é quase toda por aderência, sem muitos trechos expostos, mas não é fácil: pouco mais de 1 hora, mesmo com mochila de ataque leve. No caminho há um ponto de água que não tem boa fama e acampamentos menores. No cume há uma área de camping média: segundo alguns guias, cabem até 30 barracas. Naquele dia contamos 7 ou 8.

Foi extremamente gratificante: vista maravilhosa, livro assinado, o primeiro objetivo da travessia cumprido. Não ficamos para o pôr do sol por causa da distância da volta, e assistimos de um ponto mais perto do camping. À noite, vento forte e bastante frio, uns 8 °C pela nossa conta. Dormimos cedo.

Dia 2: Marinzinho, Pedra Redonda e o camping de 10 barracas

Saímos às 7h50, com o novo grupo, para tentar chegar à base do Itaguaré antes de anoitecer. Amanheceu com muita névoa, sem dar para ver o Marinzinho, o pico que precisávamos vencer. Tem quem diga que é o ideal, para não ver o que nos espera.

Marinzinho. Aos pés dele há outro ponto de água, a nascente daquela água do dia anterior. A água era amarelada, mas coletamos um pouco por precaução e tratamos com clorin. Depois de uma subida moderada vem uma parede de escalaminhadas íngremes, com muita exposição, muito difícil com cargueira pesada. Chegamos ao cume, mas era o cume falso do Marinzinho: é preciso descer um pouco e subir outro paredão até o verdadeiro. A névoa não deixou ver nada, mas assinamos o livro.

Túnel e lance de corda. Logo vem o primeiro túnel, que passamos sem tirar as mochilas, e depois o trecho com corda. Com um pouco de destreza dá para descer tranquilo. Muita atenção no posicionamento dos pés, para a corda ser só apoio e segurança.

Passagem estreita. Depois vem uma descida forte pelo vale e outra subida muito forte, com trepa-pedras que vão drenando as forças. Aqui há uma passagem estreita ao lado de um precipício. Com atenção, dá para atravessar tranquilo. Os vídeos do YouTube fazem parecer pior do que é.

Pedra Redonda. Mais caminhada e trepa-pedra até a Pedra Redonda, onde paramos para descansar e lanchar. (Ela só é redonda vista de longe.) Depois dela há áreas de camping pequenas, que quebram o galho e são muito usadas por quem faz a travessia em 2 ou em 4 dias. Ali também tem água boa, junto aos bambuzais: saia na trilha à direita perto de uma parede rochosa e siga pelo brejo. É uma nascente transparente e muito fria. Enchemos todas as garrafas e tratamos com clorin. Seguindo a crista, a vista do Itaguaré é linda, e no lugar do capim-elefante cresce uma espécie de bambu.

O vale à direita. De volta à trilha, é preciso vencer um vale à direita. A descida é íngreme, por mata fechada, e a subida é de detonar qualquer um: corpo cansado, muito trepa-pedra e pequenas escalaminhadas. Lá em cima, mais um pequeno vale, igualmente cansativo.

Acampamento. Já passava das 16h e estávamos bem cansados. Paramos no camping com placa de capacidade para 10 barracas, junto com o Silas, o Denis e o Teleco. Outros grupos chegaram depois: dois seguiram mesmo com a hora avançada, dois ficaram. O acampamento ficou cheio e animado até a chuva chegar.

Dia 3: base do Itaguaré, Pulo do Gato e descida

O café da manhã com o nascer do sol atrás do Itaguaré foi um presente. Já dava para ver o Pulo do Gato e alguns montanhistas que subiram para o nascer do sol. Saímos por volta das 7h40.

O último vale. Um pouco à frente do nosso camping há uma última opção de camping, pequena, antes do último e penoso vale até a base do Itaguaré. Como os outros, é muito acidentado e de vegetação fechada, com valetas enormes, pontos com alguma exposição, muito trepa-pedra e escalaminhada. É aqui o último túnel, o mais apertado: é preciso tirar a cargueira e passar engatinhando.

Ataque ao cume do Itaguaré. Chegamos à base depois de 1h30 desde o acampamento. Ali ficam os campings e o pico. Deixamos as mochilas e subimos só com os kits de emergência. Diferente do Marins, a subida é por escalaminhadas, com trechos expostos. De um mirante dá para ver quase tudo o que andamos: o cume do Marins (com o Maria e o Marina ao lado), os dois cumes do Marinzinho, a Pedra Redonda e a crista. É ali que se “vê” a dificuldade da travessia.

Pulo do Gato. Mais acima fica o Pulo do Gato, uma pedra entalada numa fenda que dá acesso ao cume. Só o Marcos, o Denis e o Teleco seguiram. A Carol e o Silas preferiram ficar. A pedra estava bem seca e a bota tinha ótima aderência, então foi possível passar com segurança. Livro assinado e muita comemoração.

Descida. Lembrando que o cume é só metade do caminho, pegamos as cargueiras no pé do morro e descemos, passando pelo ponto de água do Itaguaré e pelos campings. Paramos para almoçar e ainda provamos o mexidão incrível do Teleco, o cozinheiro do outro grupo. A descida tem um trecho forte de aderência e desescalada. Depois vem a mata, com piso irregular, valas e pedras, que vai ficando menos íngreme. Logo aparece o primeiro ponto do riozinho bom para se refrescar. Atravessamos o rio mais duas vezes e chegamos à estrada onde a travessia termina.

Às 14h30, a equipe do Sr. Clovis estava lá com as vans, cerveja, refrigerante e uma marmita de respeito a preço justo. Nos despedimos do Silas, do Denis e do Teleco, já combinando escaladas juntos. O grupo se desfez ali, mas a amizade ficou.

O que levar

  • Bastante água na saída (levamos 4 litros cada) e pastilhas para tratar (usamos clorin)
  • GPS com o trajeto
  • Saco de dormir de 0 °C ou menos e isolante térmico
  • Mochila de ataque leve para os cumes do Marins e do Itaguaré
  • “Shit tube” para trazer os dejetos de volta

Dicas e cuidados

O Pulo do Gato é extremamente perigoso: qualquer erro é fatal. Siga só se realmente se sentir seguro para o lance. Pedra seca e bota com boa aderência fazem toda a diferença.

Não faça o último vale até a base do Itaguaré no 2º dia se a noite estiver chegando. Há valetas enormes, exposição, trepa-pedra e escalaminhada.

Não vá sem GPS se não conhece o local. Há setas e totens em quase todo o percurso, mas é muito fácil se perder.

  • Com rocha molhada, as escalaminhadas ficam muito mais difíceis. Foi a chuva que nos fez abortar a primeira tentativa.
  • Há relatos de que a água do Marins é contaminada. Planeje pegar água no Careca, depois da Pedra Redonda e no Itaguaré, e trate tudo.
  • Temporada recomendada: seca, de maio a agosto.
  • Na Mantiqueira, o solo é raso. Leve um “shit tube”, traga tudo de volta e não deixe nada na montanha.

Mapa e perfil da trilha

O mapa interativo vem do Wikiloc, com o trajeto, o perfil de altitude e os pontos marcados.

Nossos registros no Wikiloc

Fomos 2 vezes. Cada registro tem o trajeto, as fotos e o GPS para baixar.

  1. 3 abr 2021Travessia Marins Itaguaré (2° e 3° dia) ⛺10,7 km · 795 m de subida · 4 h 34Muito difícil
  2. 2 abr 2021Travessia Marins Itaguaré (1° dia) ⛺8,08 km · 947 m de subida · 3 h 35Muito difícil

Fotos

  • Travessia Marins x Itaguaré, Marmelópolis, MG, foto 2

Fotos: Carol e Marcos Varella.

Perguntas frequentes

Quantos dias leva a travessia Marins x Itaguaré?

Fizemos em 3 dias, com duas noites de acampamento. Os campings depois da Pedra Redonda são usados por quem faz em 2 ou em 4 dias.

Tem água na travessia Marins x Itaguaré?

Tem pontos de água no Morro do Careca, no Marins (água parada e amarelada), aos pés do Marinzinho, depois da Pedra Redonda (nascente boa, junto aos bambuzais) e no Itaguaré. Tratamos com clorin.

Qual a melhor época para a travessia Marins x Itaguaré?

Recomendamos a temporada de seca, de maio a agosto, mas com saco de dormir de 0 °C ou menos e isolante térmico.

Precisa de GPS na travessia Marins x Itaguaré?

Sim, se você não conhece o local. Há setas e totens em quase todo o percurso, mas é muito fácil se perder.

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