
Trekking em Piquete (MG)
Pico dos Marins
Por Carol e Marcos Varella · Atualizado em · Fomos 2 vezes, a última em agosto de 2023
O Pico dos Marins é uma montanha majestosa da Serra da Mantiqueira, entre Piquete (SP) e Marmelópolis (MG), com cerca de 2.420 m. É um dos trekkings mais clássicos do Brasil. Do cume se vê o Vale do Paraíba com a Serra do Mar ao fundo, o Marinzinho, o Maria e o Mariana e, ao norte, o Itaguaré, a Serra Fina e até o Itatiaia.
Fomos lá algumas vezes. Em fevereiro de 2021 a ideia era fazer a travessia Marins x Itaguaré, mas uma tempestade na primeira noite no acampamento base nos fez voltar. Na Páscoa de 2021 voltamos, fizemos o cume e a travessia inteira. Em agosto de 2023 subimos de novo, com o Nicolas, o Bruno e a Paloma, para acampar na base e fazer o cume.
Logística
O acesso mais rápido é por Minas. Vindo de São Paulo ou da região, Piquete é a melhor opção. Em 2021, no Refúgio, nos disseram que a estrada por Piquete estava muito ruim e que a estrada do Saiqui, de Delfim Moreira, estava boa até para carro de passeio.
Em 2023 saímos de Campinas na sexta à noite e dormimos na Pousada Estação Marmelo, um bom abrigo de montanha, com café da manhã, a R$ 150 por pessoa. Às 7h30 de sábado estávamos no Refúgio Marins, do Sr. Dito, onde a trilha começa. Cobravam R$ 40 por carro, pago na saída. O contato do Refúgio é (12) 99799-7524.
Como é a trilha
São uns 12 km ida e volta, com uns 1.100 m de subida.
Até o Morro do Careca. A trilha começa dentro da Mata Atlântica, mas logo chega à porteira e à antiga estrada para o Morro do Careca, bem mais aberta. Subimos por ela sem dificuldade, apesar do peso das cargueiras. É um trecho fácil a moderado, com vista do Vale do Paraíba. No Careca há uma pequena área de camping e um bom ponto de água, numa trilha escondida (a interseção está marcada no registro).
Até o Portal. Logo depois do Careca, a mata vira campo de altitude, que vai até o cume. A trilha fica mais pedregosa, com alguns trepa-pedras, até o Portal, uma pedra dividida em duas (também chamada de Pedra Partida ou Pedra Rachada). É dali que começam os trechos mais difíceis.
Rampão 1. Depois de uma curva fechada à esquerda, de frente para um paredão, vem o primeiro rampão. Dá para subir por aderência ou pela lateral direita, com alguns trepa-pedras. De qualquer jeito, é um trecho com exposição. Faça com cuidado.
Canaleta e Rampão 2. Em seguida vem a canaleta, sem muita dificuldade, e depois uma rampa mais longa, porém menos inclinada que a primeira, até outra parede.
O Elevador. A parede vai sendo contornada até o Elevador, uma escalaminhada inclinada, mas com boas agarras para mãos e pés. Nós dois subimos com as cargueiras, mas passamos uma corda de segurança para o resto do time, como numa escalada.
Campings da base. Vencido o Elevador, os campings ficam a poucas dezenas de metros. O Camping 1 é o primeiro e o que mais gostamos para acampar. Logo depois vem o Camping 2, o maior do Marins.
Ataque ao cume. Armamos as barracas, almoçamos rápido e subimos com mochilas de ataque. No caminho passamos pela fonte de água e por outras áreas de camping, inclusive no próprio cume. A partir da fonte, a trilha é praticamente toda em rampões de aderência com exposição, bem mais fáceis sem cargueira. A chuva prevista não veio: uma tarde azul nos recebeu perto do cume. Fotos, comemoração e o livro de cume assinado.
Descida. Voltamos pelo mesmo caminho para ver o pôr do sol perto do camping, porque descer no escuro é um risco que não vale a pena. No dia seguinte, enquanto desmontávamos as barracas, as nuvens pesadas chegaram, mas descemos sem chuva, com cuidado nos lances mais inclinados. Ao meio-dia estávamos no Refúgio, com o restaurante funcionando e comida no fogão a lenha.
A tentativa abortada de 2021
No carnaval de 2021, saímos do Refúgio às 8h com bastante água (e peso), já que a ideia era pegar só um pouco no Careca e depois só no Itaguaré: há relatos de que a água do Marins é contaminada. Depois do Portal, no trecho de capim alto, os brejos estavam bem lamacentos.
A chuva nos alcançou ali e esperamos ela parar, porque o próximo ponto é um paredão que dá muito trabalho molhado. Daí em diante consideramos a trilha muito difícil, com vários pontos de escalaminhada, alguns quase escalada. Usamos cordeletes para puxar as cargueiras em três pontos.
Chegamos a um dos acampamentos da base e deu o tempo exato de montar a barraca antes de o céu desabar, com chuva forte, vento e raios até as 3h. Com a previsão de mais chuva para o dia seguinte, ficou impossível fazer o cume. Decidimos abortar a travessia e voltar ao Refúgio. A montanha estaria lá na próxima vez, e estava.
O que levar
- Cordelete de uns 10 m para içar as cargueiras no Elevador
- Filtro e cloro (ou como ferver) se for usar a água da base
- Saco de dormir de 0 °C ou menos e isolante térmico
- GPS com o trajeto
- “Shit tube” para trazer os dejetos de volta
Dicas e cuidados
O Rampão 1 e os rampões acima da base são trechos de aderência com exposição. Com pedra molhada, as escalaminhadas ficam muito difíceis, porque a bota de trilha perde a aderência.
A fonte perto dos campings da base é uma poça de água parada e bem amarelada. Só consuma se filtrar e clorar ou ferver. Mais acima, em direção ao Marinzinho, tende a ser um pouco melhor.
- Planeje voltar ao camping antes de escurecer. Descer os rampões no escuro é um risco que não vale a pena.
- Há setas indicando o caminho em vários pontos, mas não vá sem GPS se não conhece o local.
- Temporada recomendada: seca, de maio a agosto.
- O solo da Mantiqueira é raso. Traga tudo de volta e não deixe nada na montanha.
Mapa e perfil da trilha
O mapa interativo vem do Wikiloc, com o trajeto, o perfil de altitude e os pontos marcados.
Nossos registros no Wikiloc
Fomos 2 vezes. Cada registro tem o trajeto, as fotos e o GPS para baixar.
Fotos
Fotos: Carol e Marcos Varella.
Perguntas frequentes
Onde começa a trilha do Pico dos Marins?
No Refúgio Marins, do Sr. Dito. Em 2023 cobravam R$ 40 por carro, pago na saída, e o restaurante funciona na volta.
Tem água no Pico dos Marins?
Tem um bom ponto no Morro do Careca. Perto dos campings da base, a fonte é uma poça de água parada e amarela: só consuma se filtrar e clorar ou ferver.
O que é o Elevador no Pico dos Marins?
É um trecho de escalaminhada inclinada, com boas agarras para mãos e pés, logo antes dos campings da base. Recomendamos subir sem a cargueira e içá-la com um cordelete de 10 m.









