
Trekking em Aiuruoca (MG)
Travessia Baependi x Aiuruoca
Por Carol e Marcos Varella · Atualizado em · Fomos em junho de 2023
A travessia Baependi x Aiuruoca cruza a Serra do Papagaio, em Minas Gerais, do Morro do Careta até o Pico do Papagaio, com chegada em Aiuruoca (MG). Fizemos em junho de 2023, com o Adelino e a Neuza, em 3 dias. O mais comum (e era nosso plano inicial) é fazer em 4. Foram uns 47 km, com mais de 2.600 m de subida acumulada.
Logística
Estávamos em dois carros e tivemos dificuldade com o resgate de van, então a ideia era deixar um carro em cada ponta. Chegamos na véspera do feriado ao Camping O Panorâmico, em Aiuruoca, onde fomos muito bem recebidos pela dona Rosemar e pelo Sr. Odilon. Ficamos em duas suítes, com jantar delicioso e café reforçado. Reserve com antecedência: (35) 9101-6776.
Conversando com o Sr. Odilon, ele se ofereceu para fazer o resgate. Saímos cedo, os cinco no nosso carro, até o início da trilha, e ele voltou com o carro para o Panorâmico, deixando tudo pronto para a nossa chegada.
Recomendamos também fazer cadastro com antecedência nos dois “parques” atravessados: a RPPN Matutu, que é particular, e o Parque Estadual da Serra do Papagaio, do IEF. Ninguém pediu cadastro em nenhum ponto, mas achamos melhor seguir a recomendação.
Como é a travessia
Dia 1: Careta, Cruzeiro e Chorão (13 km, 7 horas)
Subida do Careta. Começamos na porteira de acesso à trilha do Morro do Careta (ou Chapéu), com placa indicando 4.800 m até o cume. É uma subida bonita de quase 5 km e quase 1.000 m de desnível, mas não é difícil, porque o piso é razoável e sem muitos obstáculos. O trecho mais íngreme do dia é uma laje de pedra. Já aqui há alguns pontos de água, então não precisa sair carregado. No caminho, dá para ver a Marins x Itaguaré à direita e a Serra Fina à esquerda.
Pico do Careta. Perto da base do Careta há uma pequena área de camping, boa para quem vai só fazer o bate-volta ao cume, com um ponto de água próximo. Mais à frente, deixamos as mochilas na trilha e subimos de ataque. A subida é curtinha e vale muito, pelo visual e pelo livro de cume.
Cruzeiro e Abrigo Salvador. Seguimos para o Morro do Cruzeiro, numa subida tranquila até o cume, que já dá uma boa visão da região. Dali é praticamente só descida, com vista para o Morro do Chorão. Perto do Abrigo Salvador, atravessamos uma bela vereda de araucárias. Saindo da mata, chegamos ao Abrigo Salvador, montamos acampamento e subimos de ataque ao Pico do Chorão.
Voltamos antes do pôr do sol e nos lavamos na água gelada do córrego que passa bem ao lado do camping. Jantamos e dormimos cedo para o dia 2, que seria bem puxado.
Dia 2: cachoeiras, Rio do Charco e RPPN Matutu (17 km, 10 horas)
Saímos por volta das 8h, com a ideia de dormir no Refúgio dos Pedros (ou antes, segundo a dica do Phellipe, um guia que conhecemos no camping). É o dia em que mais se ganha altitude.
Cachoeiras e o Juju. A saída do camping margeia o rio para baixo, com vista para várias cachoeiras, como a do Escorrega, a Pedra Furada e a famosa Juju. Descendo, chegamos à parte de cima da Cachoeira do Juju, que é preciso atravessar com água nos joelhos. Tiramos as botas e encaramos a água gelada da Serra do Papagaio. Depois vem uma subida bem sofrida com as cargueiras, com vista para o Agulhas Negras, no Itatiaia.
Poço Fundo. Uma descida leva a outro rio, onde fica o Poço Fundo. Na bifurcação, dobre à esquerda para o Rio do Charco. O ponto de travessia é bem tranquilo e bom para pegar água. Depois, mais uma subida longa até perto da Cachoeira do Charco.
Camping e Rio do Charco. Antes da cachoeira fica o camping do Charco, um casebre com espaço para 2 ou no máximo 3 barracas e água do lado. Logo depois vem o ponto mais difícil da trilha: atravessar o Rio do Charco. Há dois pontos, acima e abaixo da cachoeira. Acima, com o volume de água daquele dia, seria bem perigoso, e todos os grupos passaram por baixo. A correnteza era branda, mas a água chegou quase na cintura do Marcos, que tem 1,77 m. Ele tirou bota e calça, atravessou primeiro para ver o caminho e voltou para levar a própria cargueira e depois a da Carol, que com seu 1,56 m corria o risco de molhar o fundo da mochila. O Adelino levou a da Neuza. Prepare-se para uma água MUITO gelada.
A longa subida. Depois do lanche, uma subida LONGA, com alguns fios de água pelo caminho, que ajudam a carregar pouco peso. A uns 10 km do Salvador há uma área de camping improvisada, uma opção para quem atrasar, mas sem água por perto. Há água um pouco antes e um pouco depois (marcamos no registro).
RPPN Matutu e Santo Daime. Mais à frente entramos na RPPN Matutu, área particular dentro da Serra do Papagaio, já com o primeiro vislumbre do Pico do Papagaio ao fundo. Descendo, aparece uma porteira à direita: não atravesse, siga pela esquerda margeando a cerca até uma florestinha, para nós a mais bonita da travessia. Aqui recomendamos fortemente encher toda a água: depois, só no Santo Daime (com um desvio) ou no Refúgio dos Pedros, bem mais à frente.
Saindo da florestinha, chega-se ao Santo Daime, uma área enorme, onde caberiam fácil mais de 100 barracas, com água perto. Seria o lugar ideal para a segunda noite, mas é área particular e é proibido acampar.
Camping final do Matutu. Depois do Daime vem uma subida “braba” por uma floresta, bem cansativa já com as garrafas cheias. O sol estava se pondo e a montanha cheia de grupos, então ficamos no camping indicado pelo Phellipe, ainda na RPPN Matutu, mas bem na divisa. Não tivemos problema para acampar ali. Não tem água e é exposto ao vento: jantamos nos avanços das barracas. O Refúgio dos Pedros ficava ainda a 3 km, com subida.
Dia 3: Tamanduá Bandeira e Pico do Papagaio (17 km, 10 horas)
Acordamos cedo e fomos os primeiros a sair, às 7h30. Já tínhamos decidido fechar em 3 dias, sem dormir no Papagaio: mais 17 km, mas com desnível total negativo.
Refúgio dos Pedros. Três quilômetros depois chegamos ao Refúgio dos Pedros, ótimo lugar para pernoite, com água perto. Abastecemos ali, porque a próxima água é só no Papagaio. No caminho até lá há um ponto de “água ruim”: se der para chegar aos Pedros, melhor.
Tamanduá Bandeira. Na bifurcação, à direita, deixamos as mochilas e subimos de ataque, passando por umas ruínas. Do Tamanduá Bandeira se vê toda a crista ainda por percorrer, com o Papagaio ao fundo. Para nós é a vista mais bonita da travessia, e é também o ponto mais alto, com 2.264 m. No alto há uma pequena área de camping, bem protegida pelas árvores.
Rumo ao Papagaio. Pegamos as mochilas e seguimos, passando por vários picos com alguns rampões de rocha. Paramos para lanchar na Pedra do Santuário. Descendo para o Papagaio, há duas áreas de camping, com água na floresta entre elas.
Pico do Papagaio. Deixamos as mochilas no segundo camping e subimos de ataque. Vista maravilhosa! Ali fizemos nossa homenagem à nossa Ana Luiza e ao nosso amigo Silas Escalador, que nos deixou pouco antes. Ele queria muito fazer essa travessia, e deixamos uma foto dele no Papagaio, em homenagem a quem tanto nos ensinou na escalada.
Descida. Pegamos as mochilas e encaramos os 6 km de descida, que fizemos em 3 horas. Chegamos ao Panorâmico com o pôr do sol e jantamos o frango ensopado, o torresmo e o lombo da dona Rosemar.
Em 3 ou 4 dias
- Em 3 dias: recomendamos o nosso trajeto ou, se possível, dormir no Refúgio dos Pedros na segunda noite, o que aumenta o segundo dia de 17 para 20 km.
- Em 4 dias: o ideal é aproveitar as cachoeiras do Chorão e do Charco, dormindo nesses dois campings nas noites 1 e 2. Na terceira noite, os Pedros ou o alto do Tamanduá Bandeira, que tem uma pequena área de camping. Na quarta, os campings do Papagaio, para ver o pôr ou o nascer do sol no cume.
Contatos
- Camping O Panorâmico, em Aiuruoca, bom ponto de apoio para hospedagem, resgate e alimentação: (35) 9101-6776. Agende com antecedência.
- Phellipe, da Caminhos das Gerais, guia muito educado e conhecedor da região, que também faz transfer de até 8 pessoas: (35) 98808-0100.
- Paulo Victor, outra opção de resgate (não usamos, mas nos atendeu muito bem): (35) 98821-8267.
Dicas e cuidados
A travessia do Rio do Charco é o ponto mais difícil da trilha. Acima da cachoeira, com muita água, é bem perigoso. Passamos por baixo, com água muito gelada quase na cintura.
Não arrisque acampar no Santo Daime. É área particular, proibido acampar, e os donos costumam chegar a cavalo e mandar os trilheiros embora.
Não faça fogueira em nenhum ponto da trilha.
- Antes da florestinha da RPPN Matutu, encha toda a água. Depois, só no Santo Daime (com desvio) ou no Refúgio dos Pedros.
- O camping final do Matutu e o camping improvisado não têm água por perto.
- Na Cachoeira do Juju, a travessia é com água nos joelhos: tire as botas.
Mapa e perfil da trilha
O mapa interativo vem do Wikiloc, com o trajeto, o perfil de altitude e os pontos marcados.
Nossos registros no Wikiloc
O trajeto completo, com fotos, waypoints e o GPS para baixar.
Fotos
Fotos: Carol e Marcos Varella.
Perguntas frequentes
Quantos dias leva a travessia Baependi x Aiuruoca?
O mais comum é fazer em 4 dias. Nós fizemos em 3, com uns 13 km no primeiro dia e 17 km em cada um dos outros dois.
Pode acampar no Santo Daime na travessia Baependi x Aiuruoca?
Não. É área particular e é proibido acampar. Os proprietários costumam chegar a cavalo e mandar os trilheiros embora.
Qual o ponto mais alto da travessia Baependi x Aiuruoca?
O Pico do Tamanduá Bandeira, com 2.264 m. Para nós, é também a vista mais bonita da travessia.
Qual o trecho mais difícil da travessia Baependi x Aiuruoca?
A travessia do Rio do Charco. Passamos por baixo da cachoeira, com água muito gelada quase na cintura (o Marcos tem 1,77 m).









