
Trekking em Serra do Cipó (MG)
Travessia Lapinha x Tabuleiro
Por Carol e Marcos Varella · Atualizado em · Fomos em fevereiro de 2022
A travessia Lapinha x Tabuleiro, na Serra do Cipó (MG), vai do vilarejo da Lapinha até a portaria da Cachoeira do Tabuleiro, a mais alta de Minas e uma das mais altas do Brasil. Fizemos em 2 dias, no carnaval de 2022, com os picos da Lapinha e do Breu e com a parte alta da cachoeira. Foram 36 km e umas 18 horas de caminhada, num trajeto que todo bom montanhista deveria conhecer.
Há várias versões dessa travessia: com ou sem os picos, com a parte alta ou a parte baixa da Tabuleiro, em 2 ou 3 dias. A parte baixa tem acesso “pavimentado”, por uma longa escadaria a 300 m da portaria do parque. Ficou para outra visita.
Dificuldade
Classificamos a trilha como de dificuldade técnica moderada. Mas não se engane: os 18 km do primeiro dia são penosos, com dois cumes e quase 1.000 m de subida. Levamos praticamente 9 horas. O segundo dia também levou pouco mais de 9 horas, contando um banho merecido na cachoeira. A subida da Tabuleiro, com seus 2 km, destrói.
A descida do Breu pode ser considerada difícil por alguns, pela inclinação, pelas pedras soltas e pelo começo difícil de ver. A Carol voltou a sentir dor no tornozelo ali e na descida para a parte alta da Tabuleiro, e o ritmo caiu bastante.
Logística
O Parque Natural do Tabuleiro pede que seja preenchido um formulário antes da travessia. Mais informações aqui.
Deixamos a chave do carro na padaria da Lapinha, com o Sr. Felipe e a Sra. Suellen, e o Sr. Gil levou o carro até a portaria da Tabuleiro. Para o pernoite, reservamos o abrigo do Sr. Celi. Aprovamos os dois:
- Sr. Celi (abrigo): (31) 97179-7716
- Sr. Gil (resgate do carro): (31) 97150-4109
Como é a travessia
Dia 1: Pico da Lapinha, Breu e abrigo do Sr. Celi
Até o ponto de apoio. Começamos às 7h, depois de um café na padaria da Lapinha. A trilha sai de uma ponte e, logo no início, há uma cerca indicando entrada de R$ 25 por pessoa. Não havia ninguém, mas vá prevenido. A parede à frente impressiona, mas não desanime! O caminho é todo rochoso, muito bem demarcado, com marcações verticais vermelhas. Sempre subindo, a trilha fica mais íngreme, com alguns trepa-pedras, mas sem muita dificuldade. No ponto de apoio também não havia ninguém para cobrar. Os banheiros estavam abertos e muito limpos.
Pico da Lapinha. Do ponto de apoio, a subida ao pico é íngreme e com pedras soltas, como em muitas partes do trajeto. A vista da lagoa e dos campos à frente é linda. Vale um bate-volta ao cume mesmo para quem não vai fazer a travessia.
Pico do Breu. Descemos pelo mesmo caminho e, na bifurcação, seguimos rumo ao Breu e à Tabuleiro. A trilha fica menos pisada, mas visível, agora com marcações verticais azuis. Na base do Breu há uma placa: Tabuleiro e Ana Benta à direita, Breu em frente. Seguimos em frente, num trepa-pedra com trilha menos visível. Lá em cima, quase meio-dia, lanchamos com uma bela vista.
Descida do Breu. No começo, a trilha é bem apagada. Depois aparece a trilha de pedras brancas, todas soltas, íngremes e escorregadias. Mais embaixo há um ponto onde coletamos água.
Rio Parauninha e a estradinha. Descendo para o vale, chegamos ao rio Parauninha, bom para lavar o rosto e se refrescar, com travessia fácil. Andando pela margem, contornamos um morro e pegamos uma estrada antiga, que um 4x4 consegue passar. Seguimos por ela, cortando caminho em algumas passagens de montanha (estão no registro).
Abrigo do Sr. Celi. No alto fica a área de camping do ponto de apoio do parque e do IEF, que estava fechado. Dali são pouco mais de 2 km até o abrigo do Sr. Celi. Pagamos R$ 150 por pessoa, com jantar (delicioso) e café da manhã. É o lugar ideal para dormir na travessia em 2 dias: simples, limpo, e com anfitriões de uma simpatia ímpar, o Sr. Lucas (filho da D. Ana Benta) e o Willian.
Dia 2: parte alta da Tabuleiro e portaria
Até o Zé Olinta. Saímos às 7h para a Tabuleiro, a “só” 18 km. Passando a porteira do Sr. Celi, pegue logo uma passagem na cerca à esquerda. Depois vem um campo aberto, a travessia de um riozinho e mais subidas. Passamos por um rio mais largo, mas fácil, porque estava raso no ponto de travessia. Mais à frente fica o refúgio do Sr. Zé Olinta, com a área de camping de um ponto de apoio, que estava cheia de barracas.
Até a parte alta. Logo depois da casa, pegamos à direita, rumo à parte alta da Cachoeira do Tabuleiro. O caminho é bem visível, mas sem marcação, até uma bifurcação com placas para Parte Alta, Portaria e Zé Olinta. Depois de uma subidinha, bem na placa de “6 km”, começa a grande descida até a parte alta: 2 km de piso irregular e pedras soltas.
Na beira da cachoeira. Na beira do penhasco há um checkpoint com funcionários do parque, que pedem um breve cadastro, sem cobrança. Dali, o caminho segue pela margem do Córrego Ribeirão do Campo, descendo o leito de pedras até a beira da cachoeira, com seus 273 m. Vista de perder o fôlego! Tomamos um banho rápido no poço.
A subida de volta. Prepare as pernas: os 2 km de descida agora são 2 km de subida. Uma dica: na bifurcação, ou mais à frente, há muitos lugares para deixar as mochilas escondidas no mato e descer leve. Não fizemos, e nos arrependemos.
Até a portaria. Da bifurcação até a portaria são 6 km. Mesmo sendo descida, o piso é ruim, e o sol e o cansaço cobram seu preço: parece que não acaba nunca. Há alguns pontos de água. Mais à frente aparece uma garganta linda, que parece um oásis: paredes de pedra dos dois lados e mata com flores roxas. Já no fim, o grande prêmio: o mirante com vista completa para a Tabuleiro. Ali dá para entender por que ela é tão famosa.
Chegamos ao km 0. A portaria tem banheiros e bebedouros, e lá estava o nosso Jimny, que o Sr. Gil deixou para nós.
O que levar
- Filtro e cloro para tratar a água
- Proteção contra o sol, porque quase todo o percurso é aberto
- Dinheiro para as taxas de entrada que podem ser cobradas na Lapinha
Dicas e cuidados
A descida do Breu é íngreme, com pedras soltas e escorregadias, e o começo da trilha é difícil de ver. Para alguns, é um trecho difícil.
Quase todo o percurso é em campo rupestre, de vegetação baixa e sem sombra. Proteja-se do sol!
- Sempre trate a água (filtrar e clorar). Há vários pontos, pelo menos no fim do verão.
- No trecho de descida do segundo dia, o registro que seguíamos nos mandou para um vara-mato num desvio. Desça pela trilha por onde voltamos, que é o caminho certo.
- Se for descer à parte alta da Tabuleiro, deixe as mochilas escondidas na bifurcação e desça leve.
Mapa e perfil da trilha
O mapa interativo vem do Wikiloc, com o trajeto, o perfil de altitude e os pontos marcados.
Nossos registros no Wikiloc
O trajeto completo, com fotos, waypoints e o GPS para baixar.
Fotos
Fotos: Carol e Marcos Varella.
Perguntas frequentes
Quantos km tem a travessia Lapinha x Tabuleiro?
A nossa, com os picos da Lapinha e do Breu e a parte alta da Tabuleiro, teve uns 36 km em 2 dias: uns 18 km por dia e cerca de 9 horas de caminhada em cada um.
Onde dormir na travessia Lapinha x Tabuleiro em 2 dias?
No abrigo do Sr. Celi, uns 2 km depois do ponto de apoio do parque. Em 2022 pagamos R$ 150 por pessoa, com jantar e café da manhã.
Tem água na travessia Lapinha x Tabuleiro?
Tem vários pontos, pelo menos no fim do verão, como na descida do Breu, no rio Parauninha e nos rios do segundo dia. Sempre trate a água: filtrar e clorar.
Precisa de cadastro para a travessia Lapinha x Tabuleiro?
O Parque Natural do Tabuleiro pede que seja preenchido um formulário antes da travessia. No checkpoint da parte alta da cachoeira, fizeram um breve cadastro, sem cobrança.









