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Dedo de Deus, Teresópolis, RJ

Escalada em Teresópolis (RJ)

Dedo de Deus

Por Carol e Marcos Varella · Atualizado em · Fomos 2 vezes, a última em setembro de 2022

O Dedo de Deus, em Teresópolis (RJ), tem 1.675 m e é uma montanha que todo escalador e montanhista brasileiro deveria visitar. Fomos duas vezes pela Face Leste com a variante Maria Cebola, uma das 50 vias clássicas do Brasil. Na primeira, em julho de 2021, abortamos no Polegar. Na segunda, em setembro de 2022, com nosso amigo (e naquele dia nosso guia) Eric, fizemos o cume. Foi a nossa trilha número 100 no Wikiloc!

Atenção: é um dia muito longo. Na tentativa de 2021 chegamos tarde ao Polegar e tivemos que descer para não arriscar chegar à noite ou pernoitar na rocha. No dia do cume saímos às 4h e levamos umas 13 horas no total.

Um pouco de história

A conquista do Dedo de Deus, em 1912, é considerada o marco inicial da escalada no Brasil. José Teixeira Guimarães, Raul Carneiro e os irmãos Alexandre, Américo e Acácio Oliveira levaram 7 dias para chegar ao cume, pela via que ficou conhecida como Teixeira.

Em 1944, Almy Ulisseia, Antônio Taveira e Ulisses Braga conquistaram a Face Leste pela Chaminé Blackout. Em 1957 foi a vez de Dharomik Jarbas e Hamilton Maciel abrirem a variante Maria Cebola, uma alternativa ao trecho da Chaminé Blackout. A via aparece no livro 50 vias clássicas no Brasil.

Antes de ir

  • Estacionamento: paramos no Paraíso das Plantas (restaurante Paraíso da Serra), em Teresópolis. Há uma rua atrás do restaurante, fácil de achar pela placa “estacionamento para alpinistas”, e as vagas no fundo do prédio são liberadas para escaladores sem custo.
  • Termo de risco: para escalar os picos do PARNASO, mesmo os com acesso pela BR-116, é preciso assinar o Termo de Conhecimento de Riscos e Normas. Em 2022 tentamos entregar o formulário na portaria na véspera e de novo às 3h45 da madrugada, e não aceitaram: tinha que ser feito pela internet. Veja as regras na página de escalada do parque.

A trilha e os cabos de aço

Do estacionamento, descemos a rodovia, passamos por uma fonte e pela “santinha” e chegamos ao início da trilha: uma abertura na vegetação à direita de quem desce. Ela é difícil de ver mesmo de dia e ainda mais à noite, então siga o ponto exato do mapa.

A trilha mostra logo como será todo o caminho: íngreme e pedregosa, por mata fechada, com alguns trepa-pedras, mas bem marcada. As árvores e arbustos ajudam na subida. Em pouco mais de 1h chegamos ao pé da pedra e aos cabos de aço. Olhar para cima e ter noção da altura e da inclinação é estonteante.

Ali há um pequeno lance de escalada com 5 chapeletas até o início dos cabos. Em 2022 o Eric guiou e fez a nossa segurança de cima, na segunda parada (à direita da primeira). Dali em diante fomos pelos cabos, nos “solteirando” neles, com trechos de trilha e de cabo se alternando. Em alguns pontos foram instaladas pequenas ferratas, e há também antigas cordas fixas.

Atenção à bifurcação: uma seta cravada na pedra indica o caminho da direita, que vai para a Face Leste. Reto, segue para os outros “dedos” e para a via Teixeira (por onde descemos no dia do cume). Mais cabos e trepa-pedras levam até o cume do Polegar.

2021: a tentativa abortada

Em julho de 2021 saímos às 5h, com o Otávio, a Luana e o Evandro e a Suzi, do Consultores de Aventura, que guiaram. Éramos 6 pessoas. Fizemos os cabos com segurança, um fazendo a seg dos outros, e chegamos ao Polegar pouco antes das 11h.

Ali tínhamos uma escolha: descer ou continuar, com risco de chegar à noite ou ter que pernoitar na rocha. Decidimos descer. Antes, fizemos um lanche, visitamos o cume do Polegar e uma homenagem à nossa Ana Luiza, que fazia 10 anos que tinha partido.

A descida foi pelo mesmo caminho, com rapeis de 1 corda. No último lance, o rampão, dá para descer com 2 cordas. Não fizemos cume, mas saímos com a certeza de que voltaríamos.

2022: o cume pela Face Leste com a Maria Cebola

Saímos do estacionamento às 4h, nós dois e o Eric, que já tinha feito a via. Chegamos ao cume do Polegar e esperamos outro grupo terminar o lance, às 7h.

Do Polegar à P4. É no Polegar que a escalada começa de verdade. Subimos pela canaleta em lances de 2º grau até um lance de 4º grau, que dá para fazer pela fenda ou por fora, no bloco. Fizemos uma seg curta na árvore (a P1 do croqui) e continuamos pela canaleta até a P2, uma parada com P e chapa. Depois de esperar outro grupo, o Eric guiou direto até a P4 usando peças móveis (uma grande e algumas menores).

Maria Cebola. Na P4 fica a bifurcação entre a Chaminé Blackout e a Maria Cebola. A saída é um VI sup, que pode ser feito em A0 usando a costura. A honra de guiar essa clássica ficou com o Marcos: ele tentou duas vezes em livre, sem sucesso, e fez em artificial, porque havia outros grupos esperando. A Maria Cebola tem 5 proteções fixas na saída e depois aceita peças móveis pequenas. É toda em aderência, e a altura deixou o Marcos um pouco “psicado”, mas ele seguiu sempre para cima. A parada é na árvore, depois da fenda à esquerda.

As chaminés. Dali há poucas proteções visíveis, e o Eric voltou à frente para ir mostrando o caminho. Ele subiu até a P8, içamos as 3 mochilas e seguimos. Da P8, mais uma chaminé até a P9, com as mochilas içadas de novo. Na P9 paramos para fotos, e o Eric mandou o Pulo do Gato em A0, com a Carol e o Marcos atrás. Do Pulo fomos para a chaminé estreita, onde montamos a P10, e o Eric seguiu até a P11 pelo “passo do gigante”.

A escada e o cume. Da P11 já se vê o pé da escada da via Teixeira, sinal de que o cume está perto. Ali tiramos as sapatilhas, guardamos o equipamento de escalada e vimos as argolas feitas à mão por José Teixeira em 1912. Subimos a escada e chegamos ao cume! Que sensação maravilhosa conquistar o cume dessa montanha tão emblemática.

Descida

Depois de um lanche rápido, começamos os rapeis. Com 2 cordas, descemos direto do cume até o segundo rapel da via Teixeira, um rapel de quase 50 m bem vertiginoso. Mais 2 rapeis com 1 corda nos levaram à trilha da via Teixeira, com cabos de aço e mais um rapel curto.

Seguimos pela trilha até a interseção com a Face Leste e por mais cabos curtos até o rampão. Ali, 2 rapeis de corda dupla até a base dos cabos. A trilha de volta parece não acabar nunca até a estrada. Subimos para o estacionamento com um misto de euforia, gratidão ao Eric por nos guiar e cansaço, porque 13 horas não são para qualquer um.

O que levar

  • 2 cordas (o rapel do cume até a via Teixeira tem quase 50 m)
  • Luvas para os cabos de aço, que são bem abrasivos
  • Peças móveis (uma grande e algumas menores para o trecho até a P4, e pequenas para a Maria Cebola)
  • Solteira para se prender aos cabos

Dicas e cuidados

  • Comece muito cedo. Grupo grande e saída tarde foram o motivo da nossa primeira tentativa abortada.
  • O início da trilha é difícil de achar, principalmente no escuro. Use o ponto marcado no mapa.
  • Pode haver fila: esperamos outros grupos no Polegar, na P2 e na Maria Cebola.
  • Ir com quem já conhece a via ajuda muito. A partir da Maria Cebola há poucas proteções visíveis, e o Eric foi à frente indicando o caminho.

Mapa e perfil da trilha

O mapa interativo vem do Wikiloc, com o trajeto, o perfil de altitude e os pontos marcados.

Nossos registros no Wikiloc

Fomos 2 vezes. Cada registro tem o trajeto, as fotos e o GPS para baixar.

  1. 10 set 2022Dedo de Deus - Teresópolis/RJ5,64 km · 963 m de subida · 2 h 22Muito difícil
  2. 10 jul 2021Dedo de Deus (abortada - até cume do polegar)5,69 km · 660 m de subida · 2 h 59Muito difícil

Fotos

  • Dedo de Deus, Teresópolis, RJ, foto 2
  • Dedo de Deus, Teresópolis, RJ, foto 3
  • Dedo de Deus, Teresópolis, RJ, foto 4
  • Dedo de Deus, Teresópolis, RJ, foto 5
  • Dedo de Deus, Teresópolis, RJ, foto 6
  • Início da trilha, no caminho de Dedo de Deus (Teresópolis, RJ)
  • Cabos de aço, no caminho de Dedo de Deus (Teresópolis, RJ)

Fotos: Carol e Marcos Varella.

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva para escalar o Dedo de Deus?

No dia do cume, saímos do estacionamento às 4h e voltamos depois de umas 13 horas, contando trilha, escalada e rapeis.

Qual o grau da Face Leste do Dedo de Deus?

Fizemos a Face Leste (D2 3° IV A0/VI E3, 200 m) com a variante Maria Cebola (4º A0/VIsup E2, 30 m).

Onde estacionar para o Dedo de Deus?

Paramos no Paraíso das Plantas, em Teresópolis. O estabelecimento libera, sem custo, as vagas no fundo do prédio para escaladores, com placa de estacionamento para alpinistas.

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